O Grupo
“O Clown é um caminho em direção a você mesmo.
É o resgate da inocência, depois da experiência“.
O Grupo Operação de Riso é formado por atores profissionais,
que pesquisam a linguagem do palhaço desde 1998. O clown (palhaço) é um treinamento para o ator. É um trabalho que lida especificamente com o
olhar, do contato com o artista e sua platéia. Contato vivo, pulsante, verdadeiro.
Baseando suas ações na certeza do poder transformador que a arte possui, o grupo busca outros tipos de público que estimulem outros olhares, outras relações e outros ambientes além do teatro tradicional, vivenciando e registrando o que o arquétipo do palhaço representa e o que ele é capaz de transformar, sua importância em cada lugar, em cada ambiente por onde passa.
Hoje, o Grupo trabalha com o palhaço no ambiente hospitalar, tendo como públicos-alvo pacientes, acompanhantes, profissionais da saúde e funcionários. .
Toda a pesquisa teórica sobre a arte do palhaço e mais especificamente, sobre o trabalho do palhaço em hospitais é realizada pelos próprios atores, que está sempre em busca de literatura, vídeos e outros materiais que supram essa necessidade.
Os treinamentos práticos sobre a linguagem do palhaço são realizados com o
apoio de grandes conhecedores desta arte, como os Doutores da Alegria, Bete Dorgam, Silvia Leblon, Cláudio
Saltini e outros profissionais com quem o Grupo tem a oportunidade de trocar
informações e absorver conhecimentos preciosos.
Algumas idéias sobre o palhaço
E o palhaço, o que é?
Não sei, mas ele é, assim como eu e você, de verdade.
Mora naquilo que a gente tem de melhor, mas que insistimos em chamar de pior e
queremos esconder. Ele é feliz do jeito que é. A gente também, mas não falamos muito sobre isso. É mais divertido falar o contrário, contar
nossas angústias, sofrimentos e aflições. Quando falamos das desgraças, a gente abafa o caso, desabafa e lava a alma. A sensação de colocar
coisas ruins para fora é muito boa. O que já não acontece com as coisas boas. Não é tão legal falar sobre elas.
Cara pintada, roupa diferente, máscara pequena. Tudo isso para mostrar que é autêntico, que não usa máscara nenhuma, que é real e o quão “mascarados” nós somos. Eita palhaçada!
O riso é racional, está totalmente ligado à lógica. É impossível rir daquilo que não se entende. Existe um padrão para cada coisa nesta vida. Um padrão para a beleza, um padrão social, um padrão de vida, de profissão, de status, etc. Quando algum padrão é quebrado, abrem-se as portas para o terreno do inadequado. E é neste terreno que mora o filho torto de Deus, o palhaço.
Quando ele tropeça, a gente ri. Quando ele chora, a gente ri. Quando ele sofre, a gente ri. Quem é que não gosta de uma pitadinha de maldade? O ser humano é sádico, por natureza. Nada adianta aos puritanos de plantão, segurar o “riso maldoso” e se benzerem depois disso ou pedirem perdão pelo ato, pois mais um “x” fora acrescentado ao seu nome, no Grande Livro. Não dá para fugir do instinto, daquilo que é puro. O palhaço não foge. Mas ele também não quer ter o nome marcado no Grande Livro. Então ele, inocentemente, faz exatamente a mesma coisa que a gente faz. Aprendeu assim. E a gente ri disso. Ri porque é ridículo. porque, assim como uma criança que tem cinco anos, não consegue enganar ninguém e é engraçado vê-la tentando. A gente ri do palhaço e ri da criança porque no fundo a gente ri da nossa própria imagem, porque a gente também tenta enganar. A diferença é que somos espertos o suficiente para não sermos pegos. Ou pelo menos é nisso que queremos acreditar.
E, juntando o inadequado com a inocência, o palhaço também pode falar de tudo. Sabemos das verdades ridículas do nosso mundo, da sociedade em que vivemos, mas isso a gente fala baixinho porque pode pegar mal falar alto uma coisa destas. Nunca se sabe quem está ouvindo. Mas se é o palhaço que fala, a gente ri, porque para ele não pega mal e todo mundo sabe que aquilo que ele está falando é verdade. Mas ele, coitado, “só pôde ser palhaço nessa vida, então não importa muito o que ele diz.”
Como grande parte das coisas do mundo, senão todas, a figura do palhaço também foi banalizada. Hoje o vemos nos faróis, nas portas de lojas fazendo propagandas, nos ônibus e trens pedindo esmolas, na televisão tratando o seu público como babaca. Palhaço é ofício. E como todo ofício, tem uma função. Precisa de treino, esforço, estudo e dedicação. Tem que ralar, suar a camisa!
E como é gostoso ver um bom palhaço. Aquele que não faz tipo, que não força outra voz, que não finge um personagem. Aquele que depois de tanto tempo de vida e trabalho, mantém viva a chama da inocência e da sinceridade. E a platéia gosta deste palhaço. E não gosta pelo que ele sabe fazer, mas pelo que de fato ele é. Alguém que escolheu como profissão, a menor máscara do mundo.
Kleber Brianez